quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O contrário de gostar, é?

Eu tava pensando...
Por que você não fica mais oline?
Quer dizer, você só fica alí de olho no que as pessoas postam, mas você nunca posta nada.
Você tá fugindo?
Você não fica online mas com certeza fala com muita gente.
Geralmente se fica online quando se está disponível...
Você nunca tá disponível?
Você só fica alí... calado, chato.
Mas isso ficou pior depois daquela nossa conversa. O que mudou?
Você quer evitar que eu entre em contato com você?
Ou será que você só é anti-social demais mesmo e não vê necessidade em nada disso?
As pessoas com quem você conversa por telefone e pessoalmente são o suficiente e você não precisa de mais ninguém?
Ocupado... você não trabalha e nem estuda, você tá mesmo tão ocupado assim?
Tempo é uma questão de prioridade e se você não coloca algo na lista é porque ela não faz diferença.
Eu parei de fazer diferença pra você do nada, pra você ter me dito que "Não tinha nada de importante pra falar comigo"? Nunca?
Engraçado, você não quer mais me iludir. Um dia eu disse: "Desse jeito eu vou acabar gostando demais de você" e você disse: "Esse é o objetivo" - um dia, você quis me iludir?
O que te levou a me tratar tão bem e depois sumir?
Você mudou subitamente ou algo aconteceu? Será que fui eu? Foi algo que eu disse?
Não sei, mas da última vez que a gente se viu você comentou tanto sobre as minhas manias que me pareceu que talvez você já estivesse bem enjoado delas... elas já não eram mais simples manias, eram defeitos.
Por que eu me importo? Pra que tantas questões?
Eu acho que eu só não me conformo...
Por que apesar de saber viver sozinha e viver bem sem ninguém
Eu sei incluir, sem me excluir da própria vida.
Sei lá.. tudo ok em você não estar pronto pra isso de novo, afinal foram muitos anos, mesmo.
Mas você não podia ter esclarecido isso desde o início? Ou em algum momento você realmente pensou em ter algo comigo?
E sei lá, tudo bem você ter mudado de ideia no meio do caminho mas precisava mesmo se calar e mudar de comportamento como uma criança quando enjoa de um brinquedo?
Por que eu me importo?
Eu não me importo. Mas me sinto enjoada em pensar que isso aconteceu e eu preciso esclarecer isso de alguma forma. Não é normal, não é legal... alguém saiu ferido no meio dessa brincadeira e esse alguém sou eu.
Você achou que eu fosse seguir seu ritmo? Que eu não gostava tanto assim de você, como você não gostava de mim e pensou que ficaria tudo bem em sair de fininho?
Sua auto-estima é tão baixa assim?
Sabia que doeu quando você disse "A gente marca um dia pra conversar, sem pressa..."? Sabia que isso foi a pior coisa que eu já 'ouvi'? Que foi frio e insensível? Foi egoísta, porque você não sentia pressa em falar comigo mas eu sentia em falar com você e você se quer respondeu uma mensagem de bom dia...
Eu gostava tanto de você... e isso ao contrário do que você deve pensar, não é descartável.
Por que demora tanto pra esquecer uma dor dessas?
Porque o fim foi pré maturo, por que sua frieza foi inesperada, por que eu achava que tava tudo bem e de repente você foi embora e ficou tudo mal.
Eu acho que esse tipo de dor demora tanto pra melhorar porque vem de um tombo muito feio, sabe?
E o fato de eu pensar nisso algumas vezes, não significa que eu gosto de você... pelo contrário.
Infelizmente, é esse o contrário.

Eu queria poder te explicar, que mesmo do seu lado eu reconheço a individualidade como o amor maior e não há nada mais importante pra mim do que a liberdade, e não tem nada que expresse mais carinho do que respeito, e eu nunca iria tirar sua individualidade, eu nunca iria invadir o seu espaço e eu jamais iria te pressionar pra ficar do meu lado.
E você podia ser mais sincero e nunca ter me tratado como se você me quisesse perto de você o tempo todo, porque sumir depois de fazer isso, é cruel demais.
Você diz que foi pouco tempo, mas por quê você disse e fez tanto em pouco tempo? E agora a "culpa" é minha em ter sentindo tanto em pouco tempo...
Eu acho, só acho, que não é questão de tempo, é o que foi feito nesse tempo.
E agora o tempo é grande e tende a ficar maior, agora eu tenho tempo suficiente pra esquecer.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Quando acaba.

Talvez um dos maiores medos que eu tenho em ter que esquecer algo ou alguém, seja de que eu realmente consiga fazê-lo.
Fica aquela sensação esquisita de que eu realmente já nem lembro como é o rosto da pessoa e de que todos os momentos, os bons e ruins, já não fazem a menor diferença.
Sem contar na vontade de saber como a pessoa tá ou que ela tá fazendo, mas não porque eu ainda sinto algo e esteja precisando saber disso, mas porque eu já não enxergo mais aquele alguém como antes, talvez o enxergue como um amigo distante, quase um parente que eu vejo uma vez por ano.
Chega a ser quase constrangedor, as vezes parece que sentimento realmente não vale de nada, porque a gente esquece - eu esqueço - tão rápido, que mesmo lembrando que doeu, que foi difícil e muito embaraçoso, parece que simplesmente nada aconteceu.
É estranho, de verdade... é como se nada tivesse acontecido, como se eu não o conhecesse, como se eu tivesse apagado minha memória.
E é sempre assim: Meus amores se vão como um sopro, minhas dores somem com o tempo e novas pessoas aparecem a cada passo que eu dou.

sábado, 26 de outubro de 2013

Frágil

Escrito em Novembro de 2009.

Não tenho boas palavras, palavras poéticas pra começar isso daqui hoje.
Não consegui achar de primeira as mesmas num vocabulário como o meu. Não vou persistir.
Mas tem coisas que eu quero dizer mesmo sem saber como.
Existem coisas acontecendo, pra qualquer canto que você olhe tem alguém alí sofrendo.
Você pode não ver, você pode não entender mas ela tá lá procurando por respostas, procurando entender o porque, tentando se achar de alguma forma, o mundo dela caiu e não tem quem levante a não ser um rápido retorno ao passado.
Por isso hoje eu gostaria muito ter sido alguém pro ombro doar a quem um dia eu amei e não pude dizer, a quem fugiu do meu amor e simplesmente não tive mais força pra correr.
Te olhar nos olhos e dizer eu sinto muito não seria o suficiente nem por um instante, mas mesmo assim eu sinto.
Eu poderia ser a única que se sente dessa forma apertada e desconfortável, na verdade, nessa mesma situação só eu me encontro, de te pedir perdão e te acariciar com o olhar direto e tristonho, por todos os dias sem uma palavra que não soassem como agulhadas, só eu posso fazer.
Volta pra casa.
Eu já conheci teus passos, eu entrei no teu mundo, eu destrui tudo em poucos segundos de leitura.
Eu poderia lhe doar palavras e te olhar de maneiras mais suaves e sinceras todos os dias
Eu poderia te dar bom dia e boa noite como se não fossem doer em outro ser.
Eu queria mesmo era nunca ter tido você ou te ter agora pra te dizer que eu me sinto frágil diante de uma situação pesada.
Perdoa.
Volta atrás e perdoa, me desculpa pelos arranhões e pelo tapa, talvez palavras ásperas foram impensáveis e eu errei.
E como eu queria te dizer te amo assim como os que agora você escuta.
Nessas horas tudo é dor e só há um que cura, eu sinto muito por não ter te deixado permitir com que quem seja teu herói, seja eu.
De longe eu aprendi a voar ao teu redor como se nada eu quisesse, sentindo um mar de lembranças bater nas costas e transformar um mês em um ano.
Nada se perde daquela forma, nada daquilo deve ser irreparável. Então repara.
Estamos sem palavras e estamos sem graça, queremos muito de quem tem pouco, estamos num tumulto, a multidão nos engole, a carga é pesada e nossas costas são pequenas, temos ajuda mas nem sempre é suficiente.

sentimento revirado, que não se cansa.

Escrito em Setembro de 2010.

Ela caminhou durante algum tempo
Enganando os próprios passos
Porque sabia muito bem
Onde eles iriam leva-la

Cessou-se a caminhada
Por um instante se rendeu e cansou-se
De não poder confiar em seus passinhos
Estava farta daquele caminho vazio

E já perdeu as contas
Das vezes em que tentou detestar
O que tanto anseia em abraçar.
Já não fazia sentido continuar assim.

Ela queria gritar em prantos
Pra fazer aquilo, então, sair
Queria expelir
O tal do amor

Tentou de tudo
Mas não tentou amar
Porque sabia que seria pior
Quando se lembrou do que já passou

Queria dormir
Mas seus sonhos lhe perturbavam.
E não sabia onde colocar tanto sentimento
Que nunca usava, por sinal.

E a intrusa sensação de que aquilo já lhe consumia as entranhas
Lhe deixava calada um bocado de tempo
Tempo que perdia toda a vez que pensava, e caía.
Caía de medo, de frio de angustia; Caia, não porque queria.

Ela descansa os dedos no papel
Chora carinhosamente e sente
As lágrimas correndo em seu peito que tanto arde
E procura secar todas elas, com lembranças amargas

Na pura tentativa de esquecer, abria feridas
E não conseguia se sentir menos culpada.
Qualquer passo a mais, qualquer passo a menos e Adeus
"Realmente, ela já tava muito perturbada"

Diriam mais!
Que talvez fosse melhor assim
Morrer de amor aos pés de quem ama
Antes que fosse de ódio nas mãos do amado.

Você.

Escrito em novembro de 2009.

Me suspende no ar e depois não sabe como me por ao chão.
Me deixa lá flutuando em palavras doces em beijos macios, em toques suaves.
Faz meu corpo ficar quente e me deixa louca, sem saber que calafrios tomam conta de mim.
Me faz sentir nova na sua vida, nossas palavras, suspiros, olhares e sorrisos nunca envelhecem.
Deita do meu lado e escuto teu corpo pedindo o toque das pontas dos meus dedos que, de leve, levo ao teu rosto, examina teus traços, te beija a face, te toca os lábios, te acaricia o corpo cansado.
E seja de longe, ou como quero, de perto, não importa: Te desejo a cada dia, um dia a mais, todo o dia.
Nossos corpos não se cansam, eles dançam! dia e noite, noite e dia, como se fosse dia e nunca chegasse a noite.
Em lembranças quentes, te encontro no conforto, que é olhar no teu olho e ver tudo o que você não consegue me dizer com palavras, esqueço de tudo te beijando daquele jeito e não existe mundo lá fora; somos dois mundos prestes a se tornar um só.
E se as lembranças ainda machucam, que a dádiva do perdão nos console
E se todos em volta não entendem, que não prestem atenção.
E se for assim só você e eu que seja intenso, do momento em que começou, ao momento em que terminará.
Enquanto houver amor, que seja com você.
Eu te amo.

A Lenda Da Prostituta Evlyn Roe

Quando veio a primavera e o mar ficou azul
A bordo chegou
Com a última canoa
A jovem Evlyn Roe.

Usava um pano sobre o corpo
Que era bonito, bem vistoso.
Não tinha ouro ou ornamento
Exceto o cabelo generoso.

"Seu Capitão, leve-me à Terra Santa
Tenho que ver Jesus Cristo."
"Venha junto, pois somos tolos, e é uma mulher
Como não temos visto."

"Ele recompensará. Sou uma pobre garota.
Minha alma pertence a Jesus."
"Então pode nos dar seu corpo!
Pois o seu senhor não pode pagar:
Ele já morreu, dizem que na cruz."

Eles navegaram com sol e vento
E Evlyn Roe amaram.
Ela comia seu pão e bebeu seu vinho
E nisso sempre chorava.

Eles dançavam à noite, dançavam de dia
Não cuidavam do timão.
Evlyn Roe era tímida e suave:
Eles eram duros e sem coração.

A primavera se foi. O verão acabou.
Ela à noite corria, os pés eram sujas sapatilhas
De um mastro a outro, olhando no breu
Procurando praias tranqüilas
A pobre Evlyn Roe.

Ela dançava à noite, dançava de dia.
E ficou quase doente, cansada.
"Seu Capitão, quando chegaremos
À Cidade Sagrada?"

O Capitão estava em seu colo
E sorrindo a beijou:
"De quem é a culpa, se nunca chegaremos
Só pode ser de Evlyn Roe."

Ela dançava à noite, dançava de dia.
Até ficar inteiramente esgotada.
Do capitão ao mais novo grumete
Todos estavam dela saciados.

Usava um vestido de seda
Com uns rasgões e remendos
E na fronte desfigurada tinha
Uma mancha de cabelos sebentos.

"Nunca Te verei, Jesus
Com esse corpo pecador.
A uma puta qualquer
Não podes dar Teu amor."

De um lado para outro corria
Os pés e o coração lhe começavam a pesar:
Uma noite, já quando ninguém via
Uma noite desceu para o mar.

Isto se deu no fim de janeiro
Ela nadou muito tempo no frio
A temperatura aumenta, os ramos florescem
Somente em março ou abril.

Abandonou-se às ondas escuras
Que a lavaram por dentro e por fora.
Chegará antes à Terra Sagrada
Pois o capitão ainda demora.

Ao chegar ao céu, já na primavera
S. Pedro, na porta, a recusou:
"Deus me disse: Não quero aqui
A prostituta Evlyn Roe."

E ao chegar no inferno
O portão fechado encontrou:
O Diabo gritou: "Não quero aqui
A beata Evlyn Roe."

Assim vagou no vento e no espaço
E nunca mais parou
Num fim de tarde eu a vi passar no campo:
Tropeçava muito. Não encontrava descanso
A pobre Evlyn Roe.

Por Bertolt Brecht

Seleção "meus prediletos de Brecht"

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Em plena primavera.

Eu posso tá errada.
Provavelmente eu tô errada.
Eu tô tentando entender como eu vim parar aqui
Eu já rebobinei aqueles dias mil vezes e me perdi em todas elas.
Acho que eu vou desistir de entender, talvez seja mais fácil deixar pra lá
E olha que esquecer já vai ser muito complicado.
Eu não sei, mas acho que eu poderia te fazer sorrir se tivesse chance.
Eu tenho morrido todo o dia um pouquinho porque eu já não caminho pra frente como antes de conhecer você.
Foi pouco tempo
Foi rápido demais
Eu vivendo numa sintonia
Você completamente em outra
E ninguém tá errado, não é pra ser.
Eu esperei demais, eu quis demais, eu tava pronta pra tudo
Você ainda tem muito o que esquecer, o que jogar fora de uma vida que já não é sua, não mais...
Eu já tenho vivido todo o tempo que você agora precisa pra si
A gente viveu ao contrário, andou por sentidos contrários, nos encontramos no meio do caminho e cada um precisa continuar a andar, cada qual pra sua direção.
E como eu poderia imaginar que iria viver uma dessas paixões de verão em plena primavera?
Talvez eu só esteja com essa sensação de inacabado
Parece que foi tudo precipitado: O começo e o fim
Começou rápido demais e terminou mais rápido ainda.
Eu sei, não é pra tanto, mas isso sempre acontece: Alguém sempre se sente diferente, e nessas horas não importa tempo, razão, circunstâncias ou passado.
Eu só preciso mesmo é parar com essa minha constante atitude saudosista que me embrulha o estômago todo o dia.
É mais corrosivo do que café, essa porcaria. Do que adianta eu recordar tudo se eu recordo sozinha?
Eu vi tanta coisa, eu vi o que queria ver. Meus olhos me mostravam o que não existia.
Então eu tava mesmo errada.
E cá tô eu escrevendo meus erros de novo.

Cada dia que passa é uma chance pra esquecer
A cada hora que passa eu me pergunto por que...
Mas já que é assim que tem que ser, bom
Não foi a primeira vez, quem dera ser a última.

Foi pouco tempo, tão pouco tempo pra eu perder mais tempo
Pensando naquele tempo que foi tão pouco.
Tão pouco.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

friend and lover 24 hours at day.

Você escutava esses sons antigos que cheiram a mofo comigo, na vitrola velha ou no computador... e achava tudo incrível.
Você me escutava, sabia interagir comigo e sempre, sempre mesmo, conversava de maneira inteligente, a ponto de não me fazer sentir estúpida.
Você me abraçava e tinha boas idéias... me distraia.
Passava o dia todo conversando comigo, você sempre queria saber da minha vida.
Era curioso, era criativo...
Eu gostava de tudo, mas o que eu gostava mais era que você sempre dava um jeito de estar comigo de alguma maneira e eu nunca enjoei disso... na verdade eu sinto falta.
Como você conseguia ser tão coerente, pé no chão e ao mesmo tempo tão dedicado, atencioso e amoroso comigo? Como você conseguiu me envolver tanto na sua vida assim, tão naturalmente?
Eu sempre soube que ninguém iria ser tão incrível, sempre soube que ninguém iria ocupar esse espaço de amigo que você tem comigo.
Mas o coração consegue ser mais tapado do que a gente imagina, ele nunca olha pra onde tem que olhar... as vezes ele não olha pra lugar nenhum mesmo quando precisa olhar.
Eu sinto falta de tudo, mas sinto mais falta desse amigo 24h que você era.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Breathe me.

http://www.youtube.com/watch?v=hSH7fblcGWM

A mesma sensação por 7 anos seguidos.
É como se eu fosse completamente sozinha, como se eu nunca fosse sair do lugar, pra um lugar melhor.
É o fundo do poço, preto e sujo... úmido. 
Uma sensação de desespero, de que eu tô dando um passo pra trás, de novo.
Um vazio, uma tristeza constante, um sufoco. Exatamente isso: Um sufoco.
Por 7 anos seguidos, sem intervalos.
Eu sentia que não tinha escolha, eu não conseguia sair dalí... eu sempre tive esses meus diabos.
Quando tudo isso acabou, foi como respirar. Eu acho que eu respirei pela primeira vez na vida.
E mais do que isso: Eu achei que havia encontrado o caminho certo pra me manter assim, respirando, mas por alguns instantes, hoje, me senti tão fraca que eu descobri que não... eu não tenho controle sobre a minha própria respiração.
Só por saber que a rotina antiga há de chegar em breve, essa sensação me engoliu de novo. Por mais quantos anos eu vou ter que segurar a respiração?

Aquele lugar... é como se fosse o inferno na terra.
É meu, não só meu mas é meu, é melhor do que o que muitos tem, é melhor do que não ter, é ótimo, comparado a não ter, mas é obscuro e pesado.
Eu pude ver e sentir por alguns dias, a felicidade no seu estado bruto e de repente, some... da mesma maneira que ela entrou na minha, ela saiu: Do nada.

E eu mal cheguei e já tô pensando em como sair de lá, de novo.
Uma vontade de gritar, de sair correndo... O peso foi tanto, a armagura foi tanta que eu nunca vou esquecer. Eu nunca vou esquecer a necessidade que eu passei por precisar sair de lá.

Onde já se viu precisar sair da própria casa por esses motivos meus? Nunca vi... sou a primeira a sentir tanto peso na minha situação.

Lembro de subir as escadas, de chegar a noite, de sair a noite... de trancar o quarto, de ouvir berros, de ouvir reclamações constantes: É tanta carga negativa que daria pra construir uma bomba com tudo aquilo. Daria, acredite. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Em busca do meu lado profissional.

Desde de criança eu só tenho uma certeza quando o assunto é profissão: Eu quero trabalhar com arte.
Eu cresci vendo meu irmão fazer origami, desenhos, tocar guitarra, e aí ele resolveu fazer design, isso em 2004 eu acho. Tudo aquilo me encantava! Eu tinha certeza que eu poderia fazer aquilo muito bem e comecei... nunca mais tirei da cabeça que era aquilo que eu queria pra mim.

Eu sempre me saí muito bem com todos os trabalhos artísticos que eu precisei fazer no colégio e todo mundo sempre me elogiou muito quando eu fazia alguma coisa: Um desenho, uma pintura, um origami ou qualquer coisa do tipo. Acho que foi por causa disso que eu comecei de verdade e cresci acreditando que era isso que eu queria.

Mas tinha uma brecha nessa certeza toda: A arte é muito vasta e cheia de caminhos e infelizmente eu sou boa em tudo - e não, eu não tô me achando, não! Eu tentei fazer de tudo e simplesmente me dei bem. Digo infelizmente porque graças à essa quantidade enorme de opções que eu tenho, eu nunca consegui escolher o que de fato fazer, porque enfiei na cabeça que eu poderia crescer e fazer tudo! Quanta inocência.

Eu fui crescendo, me tornei adolescente e as cobranças de faculdade começaram. Acreditem: Absolutamente tudo o que eu queria, todos os cursos que eu desejava fazer eram super caros e não por isso, mas meus pais nunca me apoiaram, diziam que nada daquilo daria dinheiro, que aquilo não dava futuro.

Quando um adolescente ouve isso dos pais, mesmo sabendo que os pais estacionaram a cabeça em 1970 na roça do interior de Minas Gerais que eles nasceram, alguma coisa dentro da pessoa morre, a esperança talvez. Era como se ninguém acreditasse em mim, ninguém fosse me dar um voto de confiança, eu não tinha ninguém pra me ajudar, só conhecia eles e eles simplesmente diziam: "De jeito nenhum! Procura um emprego de secretária, junta um dinheiro e faz! E outra, olha o preço disso, você tá louca?"

Aquilo foi me deixando cada vez mais confusa e aflita: Além de depender completamente do lado financeiro dos meus pais, eu morria de tristeza quando eles me diziam que o que eu queria fazer era perda de tempo, isso quando não faziam cara feia e nem falavam nada.

Então de repente eu me vi assim:
  • Com 17 anos, repetente do 2 ano do ensino médio;
  • Só queria saber das faculdades mais caras, não apenas porque acreditava que nome e a instituição me ajudariam a crescer, mas também porque eram as únicas que ofereciam os cursos que eu acreditava precisar fazer;
  • Não queria saber de trabalhar porque não sabia lidar com aquela hierarquia ridícula onde você é tratado como um lixo enquanto faz vários filhos da puta enriquecem;
  • Dependia completamente do dinheiro dos meus pais, que "Não tinham" dinheiro pra pagar uma faculdade pra mim
  • Ainda acreditava que a faculdade era o início da vida, então se eu não fizesse eu seria uma ninguém - Acreditava nisso como todos os outros coitados de escola particular acreditavam;
  • Não queria fazer parte daquele grupinho de fanáticos por FUVEST e notas altas, tão pouco cursinho e barzinho pós aulas de física;
  • Ainda não tinha certeza do que queria fazer exatamente mesmo tendo alguns cursos em vista;
  • Meus pais não me davam apoio nenhum, mas queriam que eu fizesse algo. 
  • Eu não acreditava que poderia passar em faculdade pública, porque sempre soube que vestibular é uma máfia nojenta, além do mais eu não queria saber de estudar "aquilo que eu não ia usar futuramente", ou seja, tudo o que caia na prova - Hoje em dia eu leio livros de Biologia como se fosse um passa tempo: Eu me interesso pelo assunto naturalmente como curiosidade.
E assim eu levei tudo até que na metade de 2009 eu acreditava que tinha nascido pra cozinhar e tinha uma ideia animal de fazer um restaurante/lanchonete vegetariano integrado numa pista de skate e resolvi que iria fazer gastronomia. De novo, uma faculdade de custa seus rins mensalmente - Haja rim.

Então, comecei a fazer um curso de técnico em nutrição, porque era a única coisa que meus pais toparam pagar. Eu pensei: Vou fazer esse curso porque vou conhecer o setor administrativo de um restaurante e já vou ter um pé dentro da gastronomia, um complemento, aí eu arrumo um trampo nisso, junto uma grana e pago a faculdade! 

No meio do curso eu descobri que jamais trabalharia como chef de cozinha - por mil motivos, e muito menos que ganharia o suficiente para pagar a faculdade. Além disso, fiz um ano de estágio e nem como técnica em nutrição eu serviria. 

Saí de lá pensando: Me livrei, mas e agora? Voltei ao zero e ainda perdi o dinheiro do meu pai. 
Tentei por muitos meses encontrar emprego como técnica por puro desespero: Até então eu havia feito apenas estágios de ensino médio - quem já fez sabe o que eu tô falando - e um ano de estágio como técnica em nutrição. Nunca havia trabalhado, já havia desistido de fazer faculdade por todos aqueles motivos que me desmotivaram completamente, tinha acabado de terminar um curso caro e inútil, havia cobrança por todos os lados, inclusive de mim mesma, eu me vi dentro de um poço com vários outros problemas pessoais e eu não conseguia sair de lá: Eu tava me sentindo na merda e sem perspectiva nenhuma de um futuro que eu sentia que um dia seria meu. 

Esse foi o pior sentimento da época: Saber, ter certeza que eu era boa em algo, que eu nasci pra ser grande em alguma coisa, que eu poderia ter uma vida profissional foda e tudo aquilo tava tão longe de acontecer, que eu imaginava que nada do que eu tanto queria pra mim iria ser realidade um dia.

Até que um dia em 2012 eu tentei - da forma menos esperada possível - conseguir uma vaga de emprego, pela qual eu nem sabia do que se tratava, só me falaram pra eu encaminhar minhas páginas de redes sociais pra um e-mail. 
Três semanas depois, eu já sem esperança nenhuma de conseguir nada: Sem trabalho, sem estudo, sem auto-estima, sem porra nenhuma, recebi uma mensagem dizendo que eu havia passado no processo seletivo.

Um tempinho antes disso eu havia feito um curso de moulage, e sabia que eu deveria usar aquilo pra alguma coisa, mas eu precisava de tempo pra estudar em casa.
Acontece que a vaga do emprego que eu tinha acabado de conquistar era Home Office, pra ser analista de mídias sociais de um site e pra ganhar uma grana muito boa! 

Muleque... eu chorei.

Eu chorava de felicidade: Eu ia ter dinheiro, ia poder tomar o café da minha mãe, ia estudar moulage em casa e mais do que isso: Alguma coisa realmente nova e diferente tava acontecendo naquela minha vida amontuada de problemas, frustrações e desilusões.

Aqui é um pequeno desabafo emocional, porém, é interessante para quem se sente sufocado emocionalmente pelo lado profissional e teve frustrações parecidas com as minhas.
___________________________________________
As coisas foram acontecendo de tal forma, que até esse momento chegar, eu tava sobrevivendo porque eu não tinha como largar tudo, eu sabia que eu tinha muito a perder, mesmo tendo nada naquele momento.
Eu me perdi completamente, os meus problemas me consumiram e eu que deixei, eu não tinha escolha, nada acontecia à meu favor.

Eu trabalhei por 3 meses até que me deram a notícia de que a equipe teria um QG pra trabalhar e então o trabalho não seria mais home office. 
Trabalhar fora, com pessoas como as que eu trabalho, me proporcionou uma outra visão de vida, que eu nunca tive, que nunca ninguém me ensinou. Eu percebi que eu não tinha mais amigos e a culpa era minha, porque eu era tão amarga por causa dos meus problemas, que ninguém fazia questão de mim. 

Cheguei num ponto em que precisei de terapia e lá eu levei os maiores tapas na cara que eu poderia levar: Descobri toda a raiz dos meus problemas, me dei conta de que eu não sabia o que era felicidade e já era hora de mudar! Não era tarde demais nem cedo demais, tava exatamente na hora de mudar. 

Comecei! Eu tô muito diferente do que um ano atrás e eu nunca mais quero sair daqui. 
___________________________________________

Mas voltando ao lado profissional: Finalmente eu teria dinheiro, mas eu já não tinha mais esperanças pra nada na vida, eu já tinha desistido de tudo, a minha vida tava mofada, eu tava exausta, completamente saturada... acabada, eu tava um lixo! Nem eu acreditava mais em mim. 

Durante esse quase um ano de empresa, logo no início eu havia percebido que tudo iria mudar, lembram? E aí o tempo foi passando e eu percebi que eu tava certa mas agora eu precisava agir!
Mas eu ainda me sentia pesada, ainda sentia toda aquele estresse, frustração e depressão que eu tive antes de começar nesse novo emprego. Eu percebi que eu precisava renovar tudo, tudo mesmo! 

Eu precisava me livrar de tudo o que me fez mal, eu precisava nascer de novo e eu fiz isso acontecer: Precisei de uma grana, de um tempo livre, mas consegui finalmente esfriar minha cabeça, consegui me livrar de todo aquele buraco negro que eu vivi e agora eu tô pronta de novo pra falar sobre carreira! 

Então hoje, nesse exato momento a minha única preocupação é: Eu ganho bem pro que eu faço, mas só com esse dinheiro eu não vou conseguir pagar o aluguel - Yes! eu saí da casa dos meus pais :) - e todas as outras contas e serviços que eu preciso. Então eu preciso de uma renda extra.

Mas uma renda extra não é o suficiente para quem sabe que tem talento pra aproveitar! Quem sabe que nasceu pra alguma coisa, não quer simplesmente fazer alguma coisinha pra ter uma renda extra: Mas sim, quer ter o negócio próprio! Quer ter uma carreira.

Esses dias eu pensei que sim, eu tenho centenas de opções, sim, elas continuam custando muito caro, sim! Eu já tenho condições de aderir à algumas dessas opções mas não... eu não vou poder fazer tudo   como eu achava que poderia.

Hoje eu sei que eu preciso me focar: Escolher alguma coisa e seguir em frente! Testar novamente todas as opções e ver o que mais combina comigo atualmente, porque certamente dentro dessas centenas de opções, alguma é muito melhor do que as outras e vai ser nessa daí que eu vou me focar para conseguir uma renda extra.

Não, eu não estou satisfeita profissionalmente apenas em ter uma renda extra com o meu talento. Mas eu tô pensando assim: Eu preciso de dinheiro no momento, eu tenho um talento e posso usá-lo para conseguir esse dinheiro, mas ninguém consegue construir uma carreira inteira, um negócio próprio grande, do nada. É preciso começar humildemente, devagar e com muito carinho... além disso é claro, muito foco!

Então agora a To Do List é: 
  • Descobrir o que eu vou fazer, no que me focar - avaliar todas as opções e chegar a uma conclusão daquilo que é mais viável;
  • Iniciar um pequeno projeto em cima disso - por enquanto, esquecer os outros 20 e tantos projetos que já estão no papel;
  • Fazer um pequeno plano de negócios em cima desse projeto;
  • Iniciar o projeto! 
Eu tenho milhares de anotações, livros, revistas, apostilas, conteúdo virtual etc. sobre tudo o que eu sempre quis fazer, mas é muito difícil dar o ponta pé inicial com tanta informação e possibilidades. É como se houvessem milhares de diabinhos te falando: Compra esse! Náo, não compra isso! Compra esse daqui..." Tudo ao mesmo tempo, todos os dias, todos os minutos da vida. É quase impossível descobrir que deve se manter foco em uma coisa só, porque a sensação é de que se eu me focar, eu vou desperdiçar todas as outras possibilidades.
Mas essas possibilidades são talentos meus, é o meu conhecimento.

Uma vez o diretor da escola onde eu estudei no ensino fundamental, me disse: "Ninguém rouba o seu conhecimento, ninguém te tira isso! É algo que você leva pro caixão, é algo seu que não se perde." 
Zé Antônio... o senhor estava certo. 

Então é com essa sensação nova, de que se eu me focar em algo, eu só tendo a ganhar e que se eu organizar as outras ideias, com o tempo, eu posso ministrar todas elas - uma de cada vez - é que eu sigo essa nova e importantíssima etapa da minha vida: Onde eu finalmente comecei a viver.



Em memória de José Antônio Mármora.