quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O contrário de gostar, é?

Eu tava pensando...
Por que você não fica mais oline?
Quer dizer, você só fica alí de olho no que as pessoas postam, mas você nunca posta nada.
Você tá fugindo?
Você não fica online mas com certeza fala com muita gente.
Geralmente se fica online quando se está disponível...
Você nunca tá disponível?
Você só fica alí... calado, chato.
Mas isso ficou pior depois daquela nossa conversa. O que mudou?
Você quer evitar que eu entre em contato com você?
Ou será que você só é anti-social demais mesmo e não vê necessidade em nada disso?
As pessoas com quem você conversa por telefone e pessoalmente são o suficiente e você não precisa de mais ninguém?
Ocupado... você não trabalha e nem estuda, você tá mesmo tão ocupado assim?
Tempo é uma questão de prioridade e se você não coloca algo na lista é porque ela não faz diferença.
Eu parei de fazer diferença pra você do nada, pra você ter me dito que "Não tinha nada de importante pra falar comigo"? Nunca?
Engraçado, você não quer mais me iludir. Um dia eu disse: "Desse jeito eu vou acabar gostando demais de você" e você disse: "Esse é o objetivo" - um dia, você quis me iludir?
O que te levou a me tratar tão bem e depois sumir?
Você mudou subitamente ou algo aconteceu? Será que fui eu? Foi algo que eu disse?
Não sei, mas da última vez que a gente se viu você comentou tanto sobre as minhas manias que me pareceu que talvez você já estivesse bem enjoado delas... elas já não eram mais simples manias, eram defeitos.
Por que eu me importo? Pra que tantas questões?
Eu acho que eu só não me conformo...
Por que apesar de saber viver sozinha e viver bem sem ninguém
Eu sei incluir, sem me excluir da própria vida.
Sei lá.. tudo ok em você não estar pronto pra isso de novo, afinal foram muitos anos, mesmo.
Mas você não podia ter esclarecido isso desde o início? Ou em algum momento você realmente pensou em ter algo comigo?
E sei lá, tudo bem você ter mudado de ideia no meio do caminho mas precisava mesmo se calar e mudar de comportamento como uma criança quando enjoa de um brinquedo?
Por que eu me importo?
Eu não me importo. Mas me sinto enjoada em pensar que isso aconteceu e eu preciso esclarecer isso de alguma forma. Não é normal, não é legal... alguém saiu ferido no meio dessa brincadeira e esse alguém sou eu.
Você achou que eu fosse seguir seu ritmo? Que eu não gostava tanto assim de você, como você não gostava de mim e pensou que ficaria tudo bem em sair de fininho?
Sua auto-estima é tão baixa assim?
Sabia que doeu quando você disse "A gente marca um dia pra conversar, sem pressa..."? Sabia que isso foi a pior coisa que eu já 'ouvi'? Que foi frio e insensível? Foi egoísta, porque você não sentia pressa em falar comigo mas eu sentia em falar com você e você se quer respondeu uma mensagem de bom dia...
Eu gostava tanto de você... e isso ao contrário do que você deve pensar, não é descartável.
Por que demora tanto pra esquecer uma dor dessas?
Porque o fim foi pré maturo, por que sua frieza foi inesperada, por que eu achava que tava tudo bem e de repente você foi embora e ficou tudo mal.
Eu acho que esse tipo de dor demora tanto pra melhorar porque vem de um tombo muito feio, sabe?
E o fato de eu pensar nisso algumas vezes, não significa que eu gosto de você... pelo contrário.
Infelizmente, é esse o contrário.

Eu queria poder te explicar, que mesmo do seu lado eu reconheço a individualidade como o amor maior e não há nada mais importante pra mim do que a liberdade, e não tem nada que expresse mais carinho do que respeito, e eu nunca iria tirar sua individualidade, eu nunca iria invadir o seu espaço e eu jamais iria te pressionar pra ficar do meu lado.
E você podia ser mais sincero e nunca ter me tratado como se você me quisesse perto de você o tempo todo, porque sumir depois de fazer isso, é cruel demais.
Você diz que foi pouco tempo, mas por quê você disse e fez tanto em pouco tempo? E agora a "culpa" é minha em ter sentindo tanto em pouco tempo...
Eu acho, só acho, que não é questão de tempo, é o que foi feito nesse tempo.
E agora o tempo é grande e tende a ficar maior, agora eu tenho tempo suficiente pra esquecer.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Quando acaba.

Talvez um dos maiores medos que eu tenho em ter que esquecer algo ou alguém, seja de que eu realmente consiga fazê-lo.
Fica aquela sensação esquisita de que eu realmente já nem lembro como é o rosto da pessoa e de que todos os momentos, os bons e ruins, já não fazem a menor diferença.
Sem contar na vontade de saber como a pessoa tá ou que ela tá fazendo, mas não porque eu ainda sinto algo e esteja precisando saber disso, mas porque eu já não enxergo mais aquele alguém como antes, talvez o enxergue como um amigo distante, quase um parente que eu vejo uma vez por ano.
Chega a ser quase constrangedor, as vezes parece que sentimento realmente não vale de nada, porque a gente esquece - eu esqueço - tão rápido, que mesmo lembrando que doeu, que foi difícil e muito embaraçoso, parece que simplesmente nada aconteceu.
É estranho, de verdade... é como se nada tivesse acontecido, como se eu não o conhecesse, como se eu tivesse apagado minha memória.
E é sempre assim: Meus amores se vão como um sopro, minhas dores somem com o tempo e novas pessoas aparecem a cada passo que eu dou.

sábado, 26 de outubro de 2013

Frágil

Escrito em Novembro de 2009.

Não tenho boas palavras, palavras poéticas pra começar isso daqui hoje.
Não consegui achar de primeira as mesmas num vocabulário como o meu. Não vou persistir.
Mas tem coisas que eu quero dizer mesmo sem saber como.
Existem coisas acontecendo, pra qualquer canto que você olhe tem alguém alí sofrendo.
Você pode não ver, você pode não entender mas ela tá lá procurando por respostas, procurando entender o porque, tentando se achar de alguma forma, o mundo dela caiu e não tem quem levante a não ser um rápido retorno ao passado.
Por isso hoje eu gostaria muito ter sido alguém pro ombro doar a quem um dia eu amei e não pude dizer, a quem fugiu do meu amor e simplesmente não tive mais força pra correr.
Te olhar nos olhos e dizer eu sinto muito não seria o suficiente nem por um instante, mas mesmo assim eu sinto.
Eu poderia ser a única que se sente dessa forma apertada e desconfortável, na verdade, nessa mesma situação só eu me encontro, de te pedir perdão e te acariciar com o olhar direto e tristonho, por todos os dias sem uma palavra que não soassem como agulhadas, só eu posso fazer.
Volta pra casa.
Eu já conheci teus passos, eu entrei no teu mundo, eu destrui tudo em poucos segundos de leitura.
Eu poderia lhe doar palavras e te olhar de maneiras mais suaves e sinceras todos os dias
Eu poderia te dar bom dia e boa noite como se não fossem doer em outro ser.
Eu queria mesmo era nunca ter tido você ou te ter agora pra te dizer que eu me sinto frágil diante de uma situação pesada.
Perdoa.
Volta atrás e perdoa, me desculpa pelos arranhões e pelo tapa, talvez palavras ásperas foram impensáveis e eu errei.
E como eu queria te dizer te amo assim como os que agora você escuta.
Nessas horas tudo é dor e só há um que cura, eu sinto muito por não ter te deixado permitir com que quem seja teu herói, seja eu.
De longe eu aprendi a voar ao teu redor como se nada eu quisesse, sentindo um mar de lembranças bater nas costas e transformar um mês em um ano.
Nada se perde daquela forma, nada daquilo deve ser irreparável. Então repara.
Estamos sem palavras e estamos sem graça, queremos muito de quem tem pouco, estamos num tumulto, a multidão nos engole, a carga é pesada e nossas costas são pequenas, temos ajuda mas nem sempre é suficiente.

sentimento revirado, que não se cansa.

Escrito em Setembro de 2010.

Ela caminhou durante algum tempo
Enganando os próprios passos
Porque sabia muito bem
Onde eles iriam leva-la

Cessou-se a caminhada
Por um instante se rendeu e cansou-se
De não poder confiar em seus passinhos
Estava farta daquele caminho vazio

E já perdeu as contas
Das vezes em que tentou detestar
O que tanto anseia em abraçar.
Já não fazia sentido continuar assim.

Ela queria gritar em prantos
Pra fazer aquilo, então, sair
Queria expelir
O tal do amor

Tentou de tudo
Mas não tentou amar
Porque sabia que seria pior
Quando se lembrou do que já passou

Queria dormir
Mas seus sonhos lhe perturbavam.
E não sabia onde colocar tanto sentimento
Que nunca usava, por sinal.

E a intrusa sensação de que aquilo já lhe consumia as entranhas
Lhe deixava calada um bocado de tempo
Tempo que perdia toda a vez que pensava, e caía.
Caía de medo, de frio de angustia; Caia, não porque queria.

Ela descansa os dedos no papel
Chora carinhosamente e sente
As lágrimas correndo em seu peito que tanto arde
E procura secar todas elas, com lembranças amargas

Na pura tentativa de esquecer, abria feridas
E não conseguia se sentir menos culpada.
Qualquer passo a mais, qualquer passo a menos e Adeus
"Realmente, ela já tava muito perturbada"

Diriam mais!
Que talvez fosse melhor assim
Morrer de amor aos pés de quem ama
Antes que fosse de ódio nas mãos do amado.

Você.

Escrito em novembro de 2009.

Me suspende no ar e depois não sabe como me por ao chão.
Me deixa lá flutuando em palavras doces em beijos macios, em toques suaves.
Faz meu corpo ficar quente e me deixa louca, sem saber que calafrios tomam conta de mim.
Me faz sentir nova na sua vida, nossas palavras, suspiros, olhares e sorrisos nunca envelhecem.
Deita do meu lado e escuto teu corpo pedindo o toque das pontas dos meus dedos que, de leve, levo ao teu rosto, examina teus traços, te beija a face, te toca os lábios, te acaricia o corpo cansado.
E seja de longe, ou como quero, de perto, não importa: Te desejo a cada dia, um dia a mais, todo o dia.
Nossos corpos não se cansam, eles dançam! dia e noite, noite e dia, como se fosse dia e nunca chegasse a noite.
Em lembranças quentes, te encontro no conforto, que é olhar no teu olho e ver tudo o que você não consegue me dizer com palavras, esqueço de tudo te beijando daquele jeito e não existe mundo lá fora; somos dois mundos prestes a se tornar um só.
E se as lembranças ainda machucam, que a dádiva do perdão nos console
E se todos em volta não entendem, que não prestem atenção.
E se for assim só você e eu que seja intenso, do momento em que começou, ao momento em que terminará.
Enquanto houver amor, que seja com você.
Eu te amo.

A Lenda Da Prostituta Evlyn Roe

Quando veio a primavera e o mar ficou azul
A bordo chegou
Com a última canoa
A jovem Evlyn Roe.

Usava um pano sobre o corpo
Que era bonito, bem vistoso.
Não tinha ouro ou ornamento
Exceto o cabelo generoso.

"Seu Capitão, leve-me à Terra Santa
Tenho que ver Jesus Cristo."
"Venha junto, pois somos tolos, e é uma mulher
Como não temos visto."

"Ele recompensará. Sou uma pobre garota.
Minha alma pertence a Jesus."
"Então pode nos dar seu corpo!
Pois o seu senhor não pode pagar:
Ele já morreu, dizem que na cruz."

Eles navegaram com sol e vento
E Evlyn Roe amaram.
Ela comia seu pão e bebeu seu vinho
E nisso sempre chorava.

Eles dançavam à noite, dançavam de dia
Não cuidavam do timão.
Evlyn Roe era tímida e suave:
Eles eram duros e sem coração.

A primavera se foi. O verão acabou.
Ela à noite corria, os pés eram sujas sapatilhas
De um mastro a outro, olhando no breu
Procurando praias tranqüilas
A pobre Evlyn Roe.

Ela dançava à noite, dançava de dia.
E ficou quase doente, cansada.
"Seu Capitão, quando chegaremos
À Cidade Sagrada?"

O Capitão estava em seu colo
E sorrindo a beijou:
"De quem é a culpa, se nunca chegaremos
Só pode ser de Evlyn Roe."

Ela dançava à noite, dançava de dia.
Até ficar inteiramente esgotada.
Do capitão ao mais novo grumete
Todos estavam dela saciados.

Usava um vestido de seda
Com uns rasgões e remendos
E na fronte desfigurada tinha
Uma mancha de cabelos sebentos.

"Nunca Te verei, Jesus
Com esse corpo pecador.
A uma puta qualquer
Não podes dar Teu amor."

De um lado para outro corria
Os pés e o coração lhe começavam a pesar:
Uma noite, já quando ninguém via
Uma noite desceu para o mar.

Isto se deu no fim de janeiro
Ela nadou muito tempo no frio
A temperatura aumenta, os ramos florescem
Somente em março ou abril.

Abandonou-se às ondas escuras
Que a lavaram por dentro e por fora.
Chegará antes à Terra Sagrada
Pois o capitão ainda demora.

Ao chegar ao céu, já na primavera
S. Pedro, na porta, a recusou:
"Deus me disse: Não quero aqui
A prostituta Evlyn Roe."

E ao chegar no inferno
O portão fechado encontrou:
O Diabo gritou: "Não quero aqui
A beata Evlyn Roe."

Assim vagou no vento e no espaço
E nunca mais parou
Num fim de tarde eu a vi passar no campo:
Tropeçava muito. Não encontrava descanso
A pobre Evlyn Roe.

Por Bertolt Brecht

Seleção "meus prediletos de Brecht"

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Em plena primavera.

Eu posso tá errada.
Provavelmente eu tô errada.
Eu tô tentando entender como eu vim parar aqui
Eu já rebobinei aqueles dias mil vezes e me perdi em todas elas.
Acho que eu vou desistir de entender, talvez seja mais fácil deixar pra lá
E olha que esquecer já vai ser muito complicado.
Eu não sei, mas acho que eu poderia te fazer sorrir se tivesse chance.
Eu tenho morrido todo o dia um pouquinho porque eu já não caminho pra frente como antes de conhecer você.
Foi pouco tempo
Foi rápido demais
Eu vivendo numa sintonia
Você completamente em outra
E ninguém tá errado, não é pra ser.
Eu esperei demais, eu quis demais, eu tava pronta pra tudo
Você ainda tem muito o que esquecer, o que jogar fora de uma vida que já não é sua, não mais...
Eu já tenho vivido todo o tempo que você agora precisa pra si
A gente viveu ao contrário, andou por sentidos contrários, nos encontramos no meio do caminho e cada um precisa continuar a andar, cada qual pra sua direção.
E como eu poderia imaginar que iria viver uma dessas paixões de verão em plena primavera?
Talvez eu só esteja com essa sensação de inacabado
Parece que foi tudo precipitado: O começo e o fim
Começou rápido demais e terminou mais rápido ainda.
Eu sei, não é pra tanto, mas isso sempre acontece: Alguém sempre se sente diferente, e nessas horas não importa tempo, razão, circunstâncias ou passado.
Eu só preciso mesmo é parar com essa minha constante atitude saudosista que me embrulha o estômago todo o dia.
É mais corrosivo do que café, essa porcaria. Do que adianta eu recordar tudo se eu recordo sozinha?
Eu vi tanta coisa, eu vi o que queria ver. Meus olhos me mostravam o que não existia.
Então eu tava mesmo errada.
E cá tô eu escrevendo meus erros de novo.

Cada dia que passa é uma chance pra esquecer
A cada hora que passa eu me pergunto por que...
Mas já que é assim que tem que ser, bom
Não foi a primeira vez, quem dera ser a última.

Foi pouco tempo, tão pouco tempo pra eu perder mais tempo
Pensando naquele tempo que foi tão pouco.
Tão pouco.