quarta-feira, 3 de abril de 2013

Em busca do meu lado profissional.

Desde de criança eu só tenho uma certeza quando o assunto é profissão: Eu quero trabalhar com arte.
Eu cresci vendo meu irmão fazer origami, desenhos, tocar guitarra, e aí ele resolveu fazer design, isso em 2004 eu acho. Tudo aquilo me encantava! Eu tinha certeza que eu poderia fazer aquilo muito bem e comecei... nunca mais tirei da cabeça que era aquilo que eu queria pra mim.

Eu sempre me saí muito bem com todos os trabalhos artísticos que eu precisei fazer no colégio e todo mundo sempre me elogiou muito quando eu fazia alguma coisa: Um desenho, uma pintura, um origami ou qualquer coisa do tipo. Acho que foi por causa disso que eu comecei de verdade e cresci acreditando que era isso que eu queria.

Mas tinha uma brecha nessa certeza toda: A arte é muito vasta e cheia de caminhos e infelizmente eu sou boa em tudo - e não, eu não tô me achando, não! Eu tentei fazer de tudo e simplesmente me dei bem. Digo infelizmente porque graças à essa quantidade enorme de opções que eu tenho, eu nunca consegui escolher o que de fato fazer, porque enfiei na cabeça que eu poderia crescer e fazer tudo! Quanta inocência.

Eu fui crescendo, me tornei adolescente e as cobranças de faculdade começaram. Acreditem: Absolutamente tudo o que eu queria, todos os cursos que eu desejava fazer eram super caros e não por isso, mas meus pais nunca me apoiaram, diziam que nada daquilo daria dinheiro, que aquilo não dava futuro.

Quando um adolescente ouve isso dos pais, mesmo sabendo que os pais estacionaram a cabeça em 1970 na roça do interior de Minas Gerais que eles nasceram, alguma coisa dentro da pessoa morre, a esperança talvez. Era como se ninguém acreditasse em mim, ninguém fosse me dar um voto de confiança, eu não tinha ninguém pra me ajudar, só conhecia eles e eles simplesmente diziam: "De jeito nenhum! Procura um emprego de secretária, junta um dinheiro e faz! E outra, olha o preço disso, você tá louca?"

Aquilo foi me deixando cada vez mais confusa e aflita: Além de depender completamente do lado financeiro dos meus pais, eu morria de tristeza quando eles me diziam que o que eu queria fazer era perda de tempo, isso quando não faziam cara feia e nem falavam nada.

Então de repente eu me vi assim:
  • Com 17 anos, repetente do 2 ano do ensino médio;
  • Só queria saber das faculdades mais caras, não apenas porque acreditava que nome e a instituição me ajudariam a crescer, mas também porque eram as únicas que ofereciam os cursos que eu acreditava precisar fazer;
  • Não queria saber de trabalhar porque não sabia lidar com aquela hierarquia ridícula onde você é tratado como um lixo enquanto faz vários filhos da puta enriquecem;
  • Dependia completamente do dinheiro dos meus pais, que "Não tinham" dinheiro pra pagar uma faculdade pra mim
  • Ainda acreditava que a faculdade era o início da vida, então se eu não fizesse eu seria uma ninguém - Acreditava nisso como todos os outros coitados de escola particular acreditavam;
  • Não queria fazer parte daquele grupinho de fanáticos por FUVEST e notas altas, tão pouco cursinho e barzinho pós aulas de física;
  • Ainda não tinha certeza do que queria fazer exatamente mesmo tendo alguns cursos em vista;
  • Meus pais não me davam apoio nenhum, mas queriam que eu fizesse algo. 
  • Eu não acreditava que poderia passar em faculdade pública, porque sempre soube que vestibular é uma máfia nojenta, além do mais eu não queria saber de estudar "aquilo que eu não ia usar futuramente", ou seja, tudo o que caia na prova - Hoje em dia eu leio livros de Biologia como se fosse um passa tempo: Eu me interesso pelo assunto naturalmente como curiosidade.
E assim eu levei tudo até que na metade de 2009 eu acreditava que tinha nascido pra cozinhar e tinha uma ideia animal de fazer um restaurante/lanchonete vegetariano integrado numa pista de skate e resolvi que iria fazer gastronomia. De novo, uma faculdade de custa seus rins mensalmente - Haja rim.

Então, comecei a fazer um curso de técnico em nutrição, porque era a única coisa que meus pais toparam pagar. Eu pensei: Vou fazer esse curso porque vou conhecer o setor administrativo de um restaurante e já vou ter um pé dentro da gastronomia, um complemento, aí eu arrumo um trampo nisso, junto uma grana e pago a faculdade! 

No meio do curso eu descobri que jamais trabalharia como chef de cozinha - por mil motivos, e muito menos que ganharia o suficiente para pagar a faculdade. Além disso, fiz um ano de estágio e nem como técnica em nutrição eu serviria. 

Saí de lá pensando: Me livrei, mas e agora? Voltei ao zero e ainda perdi o dinheiro do meu pai. 
Tentei por muitos meses encontrar emprego como técnica por puro desespero: Até então eu havia feito apenas estágios de ensino médio - quem já fez sabe o que eu tô falando - e um ano de estágio como técnica em nutrição. Nunca havia trabalhado, já havia desistido de fazer faculdade por todos aqueles motivos que me desmotivaram completamente, tinha acabado de terminar um curso caro e inútil, havia cobrança por todos os lados, inclusive de mim mesma, eu me vi dentro de um poço com vários outros problemas pessoais e eu não conseguia sair de lá: Eu tava me sentindo na merda e sem perspectiva nenhuma de um futuro que eu sentia que um dia seria meu. 

Esse foi o pior sentimento da época: Saber, ter certeza que eu era boa em algo, que eu nasci pra ser grande em alguma coisa, que eu poderia ter uma vida profissional foda e tudo aquilo tava tão longe de acontecer, que eu imaginava que nada do que eu tanto queria pra mim iria ser realidade um dia.

Até que um dia em 2012 eu tentei - da forma menos esperada possível - conseguir uma vaga de emprego, pela qual eu nem sabia do que se tratava, só me falaram pra eu encaminhar minhas páginas de redes sociais pra um e-mail. 
Três semanas depois, eu já sem esperança nenhuma de conseguir nada: Sem trabalho, sem estudo, sem auto-estima, sem porra nenhuma, recebi uma mensagem dizendo que eu havia passado no processo seletivo.

Um tempinho antes disso eu havia feito um curso de moulage, e sabia que eu deveria usar aquilo pra alguma coisa, mas eu precisava de tempo pra estudar em casa.
Acontece que a vaga do emprego que eu tinha acabado de conquistar era Home Office, pra ser analista de mídias sociais de um site e pra ganhar uma grana muito boa! 

Muleque... eu chorei.

Eu chorava de felicidade: Eu ia ter dinheiro, ia poder tomar o café da minha mãe, ia estudar moulage em casa e mais do que isso: Alguma coisa realmente nova e diferente tava acontecendo naquela minha vida amontuada de problemas, frustrações e desilusões.

Aqui é um pequeno desabafo emocional, porém, é interessante para quem se sente sufocado emocionalmente pelo lado profissional e teve frustrações parecidas com as minhas.
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As coisas foram acontecendo de tal forma, que até esse momento chegar, eu tava sobrevivendo porque eu não tinha como largar tudo, eu sabia que eu tinha muito a perder, mesmo tendo nada naquele momento.
Eu me perdi completamente, os meus problemas me consumiram e eu que deixei, eu não tinha escolha, nada acontecia à meu favor.

Eu trabalhei por 3 meses até que me deram a notícia de que a equipe teria um QG pra trabalhar e então o trabalho não seria mais home office. 
Trabalhar fora, com pessoas como as que eu trabalho, me proporcionou uma outra visão de vida, que eu nunca tive, que nunca ninguém me ensinou. Eu percebi que eu não tinha mais amigos e a culpa era minha, porque eu era tão amarga por causa dos meus problemas, que ninguém fazia questão de mim. 

Cheguei num ponto em que precisei de terapia e lá eu levei os maiores tapas na cara que eu poderia levar: Descobri toda a raiz dos meus problemas, me dei conta de que eu não sabia o que era felicidade e já era hora de mudar! Não era tarde demais nem cedo demais, tava exatamente na hora de mudar. 

Comecei! Eu tô muito diferente do que um ano atrás e eu nunca mais quero sair daqui. 
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Mas voltando ao lado profissional: Finalmente eu teria dinheiro, mas eu já não tinha mais esperanças pra nada na vida, eu já tinha desistido de tudo, a minha vida tava mofada, eu tava exausta, completamente saturada... acabada, eu tava um lixo! Nem eu acreditava mais em mim. 

Durante esse quase um ano de empresa, logo no início eu havia percebido que tudo iria mudar, lembram? E aí o tempo foi passando e eu percebi que eu tava certa mas agora eu precisava agir!
Mas eu ainda me sentia pesada, ainda sentia toda aquele estresse, frustração e depressão que eu tive antes de começar nesse novo emprego. Eu percebi que eu precisava renovar tudo, tudo mesmo! 

Eu precisava me livrar de tudo o que me fez mal, eu precisava nascer de novo e eu fiz isso acontecer: Precisei de uma grana, de um tempo livre, mas consegui finalmente esfriar minha cabeça, consegui me livrar de todo aquele buraco negro que eu vivi e agora eu tô pronta de novo pra falar sobre carreira! 

Então hoje, nesse exato momento a minha única preocupação é: Eu ganho bem pro que eu faço, mas só com esse dinheiro eu não vou conseguir pagar o aluguel - Yes! eu saí da casa dos meus pais :) - e todas as outras contas e serviços que eu preciso. Então eu preciso de uma renda extra.

Mas uma renda extra não é o suficiente para quem sabe que tem talento pra aproveitar! Quem sabe que nasceu pra alguma coisa, não quer simplesmente fazer alguma coisinha pra ter uma renda extra: Mas sim, quer ter o negócio próprio! Quer ter uma carreira.

Esses dias eu pensei que sim, eu tenho centenas de opções, sim, elas continuam custando muito caro, sim! Eu já tenho condições de aderir à algumas dessas opções mas não... eu não vou poder fazer tudo   como eu achava que poderia.

Hoje eu sei que eu preciso me focar: Escolher alguma coisa e seguir em frente! Testar novamente todas as opções e ver o que mais combina comigo atualmente, porque certamente dentro dessas centenas de opções, alguma é muito melhor do que as outras e vai ser nessa daí que eu vou me focar para conseguir uma renda extra.

Não, eu não estou satisfeita profissionalmente apenas em ter uma renda extra com o meu talento. Mas eu tô pensando assim: Eu preciso de dinheiro no momento, eu tenho um talento e posso usá-lo para conseguir esse dinheiro, mas ninguém consegue construir uma carreira inteira, um negócio próprio grande, do nada. É preciso começar humildemente, devagar e com muito carinho... além disso é claro, muito foco!

Então agora a To Do List é: 
  • Descobrir o que eu vou fazer, no que me focar - avaliar todas as opções e chegar a uma conclusão daquilo que é mais viável;
  • Iniciar um pequeno projeto em cima disso - por enquanto, esquecer os outros 20 e tantos projetos que já estão no papel;
  • Fazer um pequeno plano de negócios em cima desse projeto;
  • Iniciar o projeto! 
Eu tenho milhares de anotações, livros, revistas, apostilas, conteúdo virtual etc. sobre tudo o que eu sempre quis fazer, mas é muito difícil dar o ponta pé inicial com tanta informação e possibilidades. É como se houvessem milhares de diabinhos te falando: Compra esse! Náo, não compra isso! Compra esse daqui..." Tudo ao mesmo tempo, todos os dias, todos os minutos da vida. É quase impossível descobrir que deve se manter foco em uma coisa só, porque a sensação é de que se eu me focar, eu vou desperdiçar todas as outras possibilidades.
Mas essas possibilidades são talentos meus, é o meu conhecimento.

Uma vez o diretor da escola onde eu estudei no ensino fundamental, me disse: "Ninguém rouba o seu conhecimento, ninguém te tira isso! É algo que você leva pro caixão, é algo seu que não se perde." 
Zé Antônio... o senhor estava certo. 

Então é com essa sensação nova, de que se eu me focar em algo, eu só tendo a ganhar e que se eu organizar as outras ideias, com o tempo, eu posso ministrar todas elas - uma de cada vez - é que eu sigo essa nova e importantíssima etapa da minha vida: Onde eu finalmente comecei a viver.



Em memória de José Antônio Mármora.